Skip to Main Content
Have library access? Log in through your library
Polícia e sociedade

Polícia e sociedade: Gestão de segurança pública violência e controle social

Ivone Freire Costa
Copyright Date: 2005
Published by: SciELO – EDUFBA
https://doi.org/10.7476/9788523212193
Pages: 244
OPEN ACCESS
https://www.jstor.org/stable/10.7476/9788523212193
  • Cite this Item
  • Book Info
    Polícia e sociedade
    Book Description:

    A gestão da segurança pública no Brasil é um debate que evidencia a relação entre Polícia e Sociedade. A visão apresentada neste livro acirra a discussão. Tendo como objeto de estudo a Polícia baiana, a autora Ivone Freire Costa focaliza as ações policiais no bairro da Liberdade - o conglomerado da violência e da criminalidade mais populoso e complexo da cidade de Salvador. Desta forma, são avaliadas a falta de confiança, o medo e a insegurança que permeiam a relação entre cidadãos e policiais. A principal finalidade da obra é incentivar a proposta de co-responsabilidade social entre Polícia e Sociedade de maneira positiva, harmônica e produtiva. É evidenciando as falhas na segurança pública e a crescente busca de conformidade social do cidadão no mundo do ilegal, que a autora sugere caminhos para o tão almejado pacto de paz.

    eISBN: 978-85-232-1219-3
    Subjects: Public Policy & Administration

Table of Contents

  1. (pp. 11-14)
    Reginaldo Souza Santos and Ivone Freire Costa
  2. (pp. 15-22)

    Pensar qualquer relação social é pensar a essência da própria vida. O Homem – e particularmente o homem contemporâneo – prossegue na busca incessante de uma qualidade de vida superior. De certa forma, pode-se dizer que a essência mesma deste estudo pretende contribuir para essa dimensão. Antes, porém, de dar início a tal reflexão, torna-se necessário estabelecer os parâmetros que irão nortear esta análise, cujo objeto cuida das relações entre Polícia e Sociedade brasileira.

    Além de ampliar o conhecimento sobre a problemática da gestão da segurança pública no país, sobretudo no que diz respeito aos critérios de eficácia da atuação...

  3. PARTE I ANÁLISE SÓCIO-ORGANIZACIONAL E PROBLEMÁTICA DA BUROCRACIA

    • (pp. 25-44)

      A complexidade da ordem e do controle social é um desafio cujo percurso a imaginação há de realizar – até onde lhe for permitido – cujas contribuições teóricas específicas aqui consideradas remetem aos marcos do capitalismo do século XX, e que se direcionam para duas macro-visões: uma objetiva e outra crítica.

      A primeira está relacionada com a dinâmica da acumulação capitalista até fins da década de 70, do século passado, e cuja trajetória seguiu os parâmetros da modernidade, incluindo o funcionalismo e as matrizes positivistas, durkheimiana, marxista e weberiana; a visão crítica, como sua denominação já traduz, discute os limites...

    • (pp. 45-64)

      Através do paradigma funcionalista, a visão objetivista tem provido um quadro dominante na condução da sociologia acadêmica e no estudo das organizações. Ela se encontra firmemente enraizada na sociologia da regulação.

      Originada na França, nas primeiras décadas do século XIX, a visão objetivista recebeu as maiores influências, particularmente, de Comte e de Durkheim. O funcionalismo, como forma de pensar, compreende as questões do controle sócio-organizacional no mundo contemporâneo, abordando o ser humano do ponto de vista objetivista, parecendo ignorar a natureza humana. Trata também das contradições e dos conflitos, interessando-se em explicar o status quo, a ordem e a integração...

    • (pp. 65-84)

      A problemática da organização burocrática na atualidade é compreendida como estrutura e forma de pensar, materializada no controle social, particularmente sob condições de insegurança e desigualdade entre diferentes e múltiplos poderes sociais.

      Os modelos alternativos de busca de flexibilidade, em substituição ao burocrático, vêm-se defrontando com dificuldades e insuficiências nas suas abordagens, uma vez que o problema da rigidez burocrática continua sendo um campo de incerteza e dilema, ainda dependentes de condições sociais não resolvidas. As organizações prosseguem apresentando certas características típicas do modelo weberiano, que as definiu como um poder legal-formal, diferentemente do tradicional e do carismático, instalando-se, no...

    • (pp. 85-108)

      Outrora o silêncio; hoje, denúncias abertas dos comportamentos violentos, convivendo com outro tipo de silêncio, porque há um modo de estar em silêncio que corresponde a uma relação de materialidade simbólica. A primeira situação, do silêncio, configura caso de violência conjugal e dos maus-tratos infantis. Nas sociedades modernas, o poder das imagens e a sub-informação influenciam sobre a apreensão desse fenômeno (MICHAUD, 1998). A segunda das denúncias, em muitos casos, são as formas de o silêncio se colocar na relação do dizível, que corre o risco de não saber se deslocar entre o dizer e o não dizer (ORLANDI, 1990)....

  4. PARTE II SEGURANÇA, POLÍCIA E SOCIEDADE

    • (pp. 111-120)

      Até aqui descrevemos o sentido de polícia, enquanto organização e controle social, e caracterizamos desde a sua gênese, a polícia, enquanto instrumento de segurança pública exercido pelo Estado. Nesta segunda parte, discute-se a segurança pública e as relações entre a Polícia e a sociedade, com base no quadro traçado pelas camadas populares e pela própria Polícia, referenciadas pelas observações do processo de leitura da realidade investigada, para tal foram utilizados aportes metodológicos, discutidos no apêndice, e detalhados com mais profundidade na tese que originou a presente publicação. Com isso, pretende-se contribuir para melhor visualizar a problemática da gestão da segurança...

    • (pp. 121-140)

      A violência, a insegurança e o medo envolvem a todos indistintamente na sociedade. Todavia, por múltiplas razões, as camadas populares encontram-se mais expostas a estes fenômenos e, de forma correlacionada, também se encontram na mesma situação os policiais que atuam na linha de frente, ou seja, aqueles que integram o contingente operacional da Polícia, na categoria Praça, constituída de sargentos e soldados.

      Apresentaremos, em primeiro lugar, aspectos do quadro da violência sofrida pelas camadas populares e pela Polícia, segundo a tipologia de crimes constantes do código penal, adotado pelos Centros de Estatísticas Policial e Criminal dos organismos governamentais. Entendeu-se que...

    • (pp. 141-168)

      Para melhor apreender o sentido da segurança pública para as camadas populares e o modo como expressam a relação que estabelecem com a Polícia nessa perspectiva de segurança, nosso objetivo é, uma vez mais, tentar aproximar a informação obtida com as hipóteses levantadas neste estudo (tabela 37).

      A segurança, sob o ponto de vista dos chefes de família entrevistados, decorre da capacidade individual de estabelecer relações de confiança, não só com a própria Polícia, como, também, com os marginais e com os traficantes do bairro. Este processo de identidades construídas na violência revela uma realidade particular do cotidiano das famílias...

    • (pp. 169-184)

      A construção deste capítulo está fundada em 3 questões formuladas aos chefes de família do Bairro da Liberdade, em Salvador.

      1) Se o(a) Sr(a) fosse o(a) Secretário(a) de Segurança Pública do Governo do Estado ou Comandante Geral da Polícia, o que o Sr(a) faria para dar segurança aqui no bairro?

      2) E se a Polícia fizesse isto tudo, resolveria o problema de segurança no bairro? Sim, Não. Por quê?

      3) Pensando no futuro, o que o(a) Sr(a) acha da segurança aqui no bairro da Liberdade? Vai melhorar, vai piorar, ou vai ficar na mesma. Por quê?

      Em relação às indicações...

  5. (pp. 185-200)

    De modo geral, este estudo pretendeu contribuir com o debate sobre a Polícia e suas relações com a sociedade brasileira, visando a ampliar o conhecimento a respeito da gestão das organizações de segurança pública, como parte do processo de interações entre o Estado e a sociedade, na atual conjuntura de violência e criminalidade. De modo específico, porém, objetivou situar esse objeto - relação Polícia e Sociedade - no contexto das desigualdades sociais, através de um estudo de caso da Polícia baiana em Salvador, sob a ótica das camadas populares e da própria corporação.

    Constatou-se não ser a Polícia a única...

  6. (pp. 201-214)

    O potencial explicativo da análise aqui proposta institui um “espaço urbano como instrumento e fronteira” que delimita o estudo, constituindo os elementos para uma amostra que objetiva conhecer melhor as manifestações sobre Polícia e segurança no cotidiano familiar dos bairros populares da cidade do Salvador. Sob a ótica da Polícia e das camadas populares – que são as que mais sofrem com os problemas da violência e da criminalidade na cidade¹ –, procuramos refletir sobre o papel da Polícia no exercício da segurança pública. Para tanto, foram feitas entrevistas com 1/3 do contingente operacional da Polícia e a 109 chefes...